Nhamundá, Guerreiro de Todas as Tribos.

A lenda do Guerreiro Nhamundá não se perdeu no tempo. Ao contrário, está mais viva que nunca. A prova é tamanha que, a cada dia, o povo nhamundaense e especialmente os estudantes aumentam o interesse em conhecer mais sobre o personagem que encantou multidões, conquistou respeito, libertou o seu povo e deixou o seu nome na nossa história.

Os filhos nhamudaenses estão mais que corretos, afinal, quem não procura conhecer sobre as histórias e lendas de seus antepassados encontra dificuldades para compreender o presente e traçar metas para vislumbrar melhor perspectiva de um futuro.

O mais interessante é que, faz séculos que o grande líder faleceu e nem por isso integra a lista dos heróis esquecidos. E o melhor, em nosso meio, paira uma energia positiva sobre essa grande personalidade histórica, quanto mais vamos definhando os seus passos, mais se descortina um mundo de encantos, que trás em seu bojo uma mística riquíssima coroada de um simbolismo vibrante que toma conta do imaginário popular.

Dia desse eu li uma obra que está aguardando publicação, – Nhamundá Pré-História, História, Crônicas e Fofocas – do Padre José Filândia e lá se encontra também referências ao grande Nhamundá. Ou seja, qualquer obra que registre algo sobre o município de Nhamundá traz ao menos um parágrafo sobre a vida do Guerreiro de todas as tribos.

O Fascinante Ritual da Tucandeira

Os Saterê Mawé souberam como poucos preservar suas memórias, seus costumes, mantendo vivas as suas lendas; a cada dia, conquistam mais notoriedade, afinal não é por acaso que emprestaram o nome a um dos mais belos municípios do Estado do Amazonas, o nosso querido Maués.

 

Dado o potencial de riquezas culturais que esse povo preserva, hoje destacamos um. Trata-se do Ritual da Tucandeira. Com certeza, é um dos mais belos ritos iniciáticos dessa grande nação. Um ritual único em toda a região, no qual cada jovem do sexo masculino precisa fazer a sua iniciação para ficar apto a se tornar um guerreiro, pai de família, caçador, e a honrar as suas responsabilidades com a noiva, futura esposa, e com o seu povo.

Desse modo, os jovens de doze anos de idade, necessariamente, passam pelo Ritual da Tucandeira para provarem a sua valentia e para se tornarem devidamente habilitados a enfrentar o mundo.

O grande ritual consiste em colocar as mãos e os antebraços em uma luva tecida de cipó ou palha com centenas de formigas. O processo é muito dolorido; não são todos os que conseguem cumprir o ritual na primeira vez e, dependendo da situação, o candidato pode ser submetido a essa prova por vinte ou mais vezes.

Tão logo é iniciada a cerimônia, o pajé faz um gesto, e começa a dura prova, ocasião em que os demais membros o acompanham com cânticos e com danças rítmicas até obterem a plena convicção de que o novo iniciado pode ser admitido ao círculo de adultos, dada a sua resistência e a sua coragem. As picadas são doloridas; conta-se que, mesmo após o término, as ferroadas ficam doloridas durante as próximas quarenta e oito horas.

Cumprido todo o ritual, esse novo guerreiro estará preparado para a caça, a pesca, para o trabalho na lavoura, para o casamento, para o cumprimento das demais atividades da comunidade, além de ter o seu corpo protegido contra doenças e ser dotado de um espírito robusto.

Cada nação indígena tem suas peculiaridades, razão maior de serem diferentes em seus procedimentos, seus hábitos, sua cultura e no trato de tudo que diz respeito aos seus membros. É no município de Maués que se encontra o maior contingente dos índios Saterê Mawé, tribo que é dona de um patrimônio cultural invejável. Suas origens se perdem nos tempos.

Segundo os mais velhos da tribo, os seus ancestrais viviam ao longo dos rios Madeira e Tapajós; e, até o início do século XX, numerosas famílias residiam nas aldeias Araticum Velho Terra Preta, na cabeceira do rio Andirá, afora outras dezenas ao longo dos rios Miriti, Manjuru, Urupadi; todas desapareceram nos anos vinte. Assim, o êxodo vem-se dando rumo às proximidades de Maués, Barreirinha e Parintins.

Desbravadores e guerreiros jamais se deram por vencidos; resistiram a todas as investidas ao longo dos tempos, e há séculos são conhecidos em toda a região como os inventores e os pais do guaraná. É isso mesmo! Eles são os legítimos pais do nosso guaraná, hoje o fruto mais cobiçado do Amazonas, disputado a peso de ouro por multinacionais.

Todos os direitos reservados.

Autor: LISON COSTA.

Rabeta: A Máquina Propulsora dos Rios da Amazônia!

 

O requinte do designer, seus traços marcantes, o desempenho e a elegância de que é dotado um Porsche Cayenne S deixam-nos encantados quando passa reluzente pelas avenidas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo e demais metrópoles, e o mesmo acontece quando um motor Rabeta singra os rios da Amazônia, o qual descortina o verde exuberante das selvas e transforma-se na força propulsora de um povo.

É evidente que os estados da Região Norte dispõem de um número de motores Rabeta respeitável, com destaque ao Amazonas. Nos municípios de Nhamundá, Urucará, Parintins, Barreirinha, Boa Vista do Ramos e Maués, nem se fala! É motivo de festas e de status ter um possante motor Rabeta. Ao que parece, as primeiras peças chegaram à região no início da década de setenta e, desde então, se transformaram numa coqueluche regional, verdadeiro sonho de consumo de todas as classes, principalmente de ribeirinhos.

 

Os motores Rabeta são pequenos motores estacionários acoplados na popa de uma canoa que, num primeiro momento, foram projetados para ralar mandioca, e o interiorano de repente passou a empregá-los como meio de transporte para acessar os baixios, pequenos igarapés, lagos e igapós, em áreas de difícil acesso. Posteriormente a máquina pegou; hoje, é aprazível, e quase toda a família tem o seu motor Rabeta para o desempenho de suas atividades, a qual também passou a usá-lo em momentos de lazer.

Dada a versatilidade de uso, o motor Rabeta foi o melhor invento náutico do século passado, conquistando milhares de famílias de baixa renda na Região Amazônica. Sem dúvida, hoje, já é um equipamento consagrado e, talvez, um dos mais importantes, tendo-se transformado no principal propulsor de escoamento da produção ribeirinha, e indispensável em qualquer projeto de assentamento, em casas de farinha e em meio de transporte fluvial.

Desse modo, é notório que o antigo remo vem perdendo espaço a cada dia; poucas são as famílias que ainda o usam. Provavelmente, na próxima década, será mais um instrumento incluído na lista dos souvenirs. Os motores Rabeta oferecem praticidades sem igual, desde o baixo consumo de combustível até o manuseio prático para transportá-los; quando colocados sobre o suporte de fixação na popa da canoa, ela já está pronta para dar partida ao destino que se pretende.

Antes, um percurso que se fazia no remo em uma semana, hoje, é feito em apenas quatorze horas; é uma grande vantagem e, nos próximos anos, vai durar muito menos, haja vista que alguns fabricantes já anunciam lançamento de Rabetas turbinadas e com menos consumo de combustível, sem se falar nos protótipos que entraram em fase de testes, os quais utilizarão energia solar. Ou seja, uma energia limpa.

O que se sabe é que, na região, possuir um motor Rabeta é sinônimo de status, é ser um forte candidato a grandes conquistas; e – quem sabe – ele facilita a conquista de corações, então, quando chega a temporada de pescas e de festivais, a maioria dos portos fluviais e das praias são tomados por um número cada vez maior de Rabetas de todas as cores e tamanhos, e muitas prefeituras patrocinam barqueatas com motor Rabeta e porfias e contemplam vencedores com motores Rabeta de última geração.

É certo é que as Rabetas vêm contribuindo para resgatar a estima de milhares de pessoas que se encontravam sem muitas perspectivas para se desvencilhar do velho e pesado remo, afinal não é nada fácil remar durante horas para atender a uma emergência ou para cumprir compromissos debaixo de banzeiros, temporais e correntezas de nossos rios. O motor Rabeta, realmente, veio para ficar no coração do povo; ademais, viajar de Rabeta pelos rios amazônicos é presentear a si mesmo com momentos únicos e, com certeza, presentear-se com momentos inesquecíveis; sobretudo se for para pegar a brisa dos ventos amazônicos – nem se fala! Rabeta… Um invento que conquistou as estradas de águas amazônidas… Rabeta, a força propulsora de um povo!

Todos os direitos reservados.

Autor: Lison Costa.