O Fascinante Ritual da Tucandeira

Os Saterê Mawé souberam como poucos preservar suas memórias, seus costumes, mantendo vivas as suas lendas; a cada dia, conquistam mais notoriedade, afinal não é por acaso que emprestaram o nome a um dos mais belos municípios do Estado do Amazonas, o nosso querido Maués.

 

Dado o potencial de riquezas culturais que esse povo preserva, hoje destacamos um. Trata-se do Ritual da Tucandeira. Com certeza, é um dos mais belos ritos iniciáticos dessa grande nação. Um ritual único em toda a região, no qual cada jovem do sexo masculino precisa fazer a sua iniciação para ficar apto a se tornar um guerreiro, pai de família, caçador, e a honrar as suas responsabilidades com a noiva, futura esposa, e com o seu povo.

Desse modo, os jovens de doze anos de idade, necessariamente, passam pelo Ritual da Tucandeira para provarem a sua valentia e para se tornarem devidamente habilitados a enfrentar o mundo.

O grande ritual consiste em colocar as mãos e os antebraços em uma luva tecida de cipó ou palha com centenas de formigas. O processo é muito dolorido; não são todos os que conseguem cumprir o ritual na primeira vez e, dependendo da situação, o candidato pode ser submetido a essa prova por vinte ou mais vezes.

Tão logo é iniciada a cerimônia, o pajé faz um gesto, e começa a dura prova, ocasião em que os demais membros o acompanham com cânticos e com danças rítmicas até obterem a plena convicção de que o novo iniciado pode ser admitido ao círculo de adultos, dada a sua resistência e a sua coragem. As picadas são doloridas; conta-se que, mesmo após o término, as ferroadas ficam doloridas durante as próximas quarenta e oito horas.

Cumprido todo o ritual, esse novo guerreiro estará preparado para a caça, a pesca, para o trabalho na lavoura, para o casamento, para o cumprimento das demais atividades da comunidade, além de ter o seu corpo protegido contra doenças e ser dotado de um espírito robusto.

Cada nação indígena tem suas peculiaridades, razão maior de serem diferentes em seus procedimentos, seus hábitos, sua cultura e no trato de tudo que diz respeito aos seus membros. É no município de Maués que se encontra o maior contingente dos índios Saterê Mawé, tribo que é dona de um patrimônio cultural invejável. Suas origens se perdem nos tempos.

Segundo os mais velhos da tribo, os seus ancestrais viviam ao longo dos rios Madeira e Tapajós; e, até o início do século XX, numerosas famílias residiam nas aldeias Araticum Velho Terra Preta, na cabeceira do rio Andirá, afora outras dezenas ao longo dos rios Miriti, Manjuru, Urupadi; todas desapareceram nos anos vinte. Assim, o êxodo vem-se dando rumo às proximidades de Maués, Barreirinha e Parintins.

Desbravadores e guerreiros jamais se deram por vencidos; resistiram a todas as investidas ao longo dos tempos, e há séculos são conhecidos em toda a região como os inventores e os pais do guaraná. É isso mesmo! Eles são os legítimos pais do nosso guaraná, hoje o fruto mais cobiçado do Amazonas, disputado a peso de ouro por multinacionais.

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Autor: LISON COSTA.

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