Rabeta: A Máquina Propulsora dos Rios da Amazônia!

 

O requinte do designer, seus traços marcantes, o desempenho e a elegância de que é dotado um Porsche Cayenne S deixam-nos encantados quando passa reluzente pelas avenidas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo e demais metrópoles, e o mesmo acontece quando um motor Rabeta singra os rios da Amazônia, o qual descortina o verde exuberante das selvas e transforma-se na força propulsora de um povo.

É evidente que os estados da Região Norte dispõem de um número de motores Rabeta respeitável, com destaque ao Amazonas. Nos municípios de Nhamundá, Urucará, Parintins, Barreirinha, Boa Vista do Ramos e Maués, nem se fala! É motivo de festas e de status ter um possante motor Rabeta. Ao que parece, as primeiras peças chegaram à região no início da década de setenta e, desde então, se transformaram numa coqueluche regional, verdadeiro sonho de consumo de todas as classes, principalmente de ribeirinhos.

 

Os motores Rabeta são pequenos motores estacionários acoplados na popa de uma canoa que, num primeiro momento, foram projetados para ralar mandioca, e o interiorano de repente passou a empregá-los como meio de transporte para acessar os baixios, pequenos igarapés, lagos e igapós, em áreas de difícil acesso. Posteriormente a máquina pegou; hoje, é aprazível, e quase toda a família tem o seu motor Rabeta para o desempenho de suas atividades, a qual também passou a usá-lo em momentos de lazer.

Dada a versatilidade de uso, o motor Rabeta foi o melhor invento náutico do século passado, conquistando milhares de famílias de baixa renda na Região Amazônica. Sem dúvida, hoje, já é um equipamento consagrado e, talvez, um dos mais importantes, tendo-se transformado no principal propulsor de escoamento da produção ribeirinha, e indispensável em qualquer projeto de assentamento, em casas de farinha e em meio de transporte fluvial.

Desse modo, é notório que o antigo remo vem perdendo espaço a cada dia; poucas são as famílias que ainda o usam. Provavelmente, na próxima década, será mais um instrumento incluído na lista dos souvenirs. Os motores Rabeta oferecem praticidades sem igual, desde o baixo consumo de combustível até o manuseio prático para transportá-los; quando colocados sobre o suporte de fixação na popa da canoa, ela já está pronta para dar partida ao destino que se pretende.

Antes, um percurso que se fazia no remo em uma semana, hoje, é feito em apenas quatorze horas; é uma grande vantagem e, nos próximos anos, vai durar muito menos, haja vista que alguns fabricantes já anunciam lançamento de Rabetas turbinadas e com menos consumo de combustível, sem se falar nos protótipos que entraram em fase de testes, os quais utilizarão energia solar. Ou seja, uma energia limpa.

O que se sabe é que, na região, possuir um motor Rabeta é sinônimo de status, é ser um forte candidato a grandes conquistas; e – quem sabe – ele facilita a conquista de corações, então, quando chega a temporada de pescas e de festivais, a maioria dos portos fluviais e das praias são tomados por um número cada vez maior de Rabetas de todas as cores e tamanhos, e muitas prefeituras patrocinam barqueatas com motor Rabeta e porfias e contemplam vencedores com motores Rabeta de última geração.

É certo é que as Rabetas vêm contribuindo para resgatar a estima de milhares de pessoas que se encontravam sem muitas perspectivas para se desvencilhar do velho e pesado remo, afinal não é nada fácil remar durante horas para atender a uma emergência ou para cumprir compromissos debaixo de banzeiros, temporais e correntezas de nossos rios. O motor Rabeta, realmente, veio para ficar no coração do povo; ademais, viajar de Rabeta pelos rios amazônicos é presentear a si mesmo com momentos únicos e, com certeza, presentear-se com momentos inesquecíveis; sobretudo se for para pegar a brisa dos ventos amazônicos – nem se fala! Rabeta… Um invento que conquistou as estradas de águas amazônidas… Rabeta, a força propulsora de um povo!

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Autor: Lison Costa.

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